venerdì 14 febbraio 2014

Conferenza Mons. Muller

Chiesa mundus concilatus ma anche mundus concilians mundum

tratti distintivi della teologia cattolica

- gerarchia delle verità
- elementi essenziali della fede
- unione tra Logos e agape
- sensus fidei et in Ecclesia (dimensione ecclesiale della teologia)
- non si produce il sapere, lo si accoglie

martedì 11 febbraio 2014

laicità significa impegno serio col mondo

Una sera ho partecipato a una trasmissione televisiva, c'era anche Indro Montanelli. All' improvviso, il grande giornalista ha detto che un rottame senza speranza dovrebbe poter evitare per se stesso un'inutile agonia. Lo diceva rivolgendosi a se stesso, immaginando una caduta in quello stato che chiamiamo vegetativo, rivendicando il diritto a morire da uomo e, in alternativa all'eutanasia. Gli ho risposto, senza convincerlo, che non siamo padroni del nostro destino. E che si può essere un rottame ma avere ancora una speranza. Ci aiuta la fede. La fede è una certezza. Sono convinto che tutto quello che ci succede ha un significato, spesso difficile da interpretare e da accettare ma sicuramente fa parte di un grande disegno che un giorno capiremo. Arrivederci a tutte le piccole Terri, vittime dell'egoismo umano.
Ambrogio Fogar Contro vento. La mia avventura più grande, Bur, 2006

La fede è una certezza che ci deve essere un significato o almeno ci può essere e noi siamo fatti per ricercare questo significato. Ma se non credo all'esistenza di un significato, se lo escludo a priori, e attacco di continuo le religiosità, la Chiesa e i credenti, perché fare politica? Perché impegnarsi nel sociale o nell'economia? Per affermare che cosa? Che tutto è inutile? Questo per me non è pensare laico ma un parlarsi addosso.
Detto questo anche noi cattolici abbiamo la responsabilità di essere aperti e solidalizzare con il mondo senza giudicare ma invitando alla riflessione.
Ma evadiamo dalla riserva indiana in cui ci vorrebbero confinare, come "quelli del Vaticano".
Per noi il significato dell'esistenza ha preso la forma dell'amicizia con Cristo ma la fede è innanzitutto una domanda del cuore dell'uomo suscitata costantemente dall'amore di Dio.

Si sente parlare spesso di libertà, vogliio essere libero! Ma per fare che? Per precipitare nel nichilismo o nell'egoismo! La libertà insegnano i maestri nella fede non è fare quello che si vuole ma adesione a ciò che è vero. Se vengo lasciato su una montagna di notte (e questa è pressapoco la situazione dell'uomo sulla terra), che libertà è la mia? Di schiantarmi in un dirupo. La vera libertà è avere una mappa dei sentieri, e poter scegliere il mio sentiero, allora sì che divento realmente libero.

mercoledì 30 ottobre 2013

DEUS...QUEM É ELE ?)

DEUS ... QUEM E' ELE ?
Instituto téologico Sao Tomas de Aquino


I. Introduçao

1) Por quê?

"Por que e para que existo? No que consiste a verdadeira felicidade? Por que há sofrimentos nesta terra? O que acontece após a morte? Qual a origem do Universo,do Sol,da Lua e das estrelas?

Estas perguntas, inevitáveis a qualquer ser humano,nos levam a compreender como a alma aspira chegar à Causa primeira de tudo,a partir das causas segundas,ou seja,por meio de Suas Criaturas.

Este é o mais profundo instinto do homem,o senso do divino.Somos naturalmente religiosos.

Diz São Tomás de Aquino :"Por isso,naturalmente permanece no homem,ao conhecer o efeito,o desejo de saber que este efeito tem uma causa e de saber o que é a causa."

E como teríamos coragem de afirmar que o esplendor e a ordenação de todo o Universo que contemplamos não foi criado e não é governado por uma inteligência superior? São Paulo ,em sua carta aos Romanos,recorda que o Criador é acessível ao homem através da contemplação de Suas obras." ( Do livro DEUS...QUEM ELE É?)

2) Deus dirige os passos dos homens

"A humanidade registra em sua história- e até os dias de hoje-formas comoventes de exprimir a crença num Criador e Governador Supremo de todas as coisas.A História revela a universalidade do comportamento religioso( orações,sacrifícios,cultos,meditações etc).Esses costumes comprovam o quanto o homem pode ser considerado um ser religioso.

Mas muitas coisas concorrem para que as pessoas percam a fé em Deus.A principal delas é a revolta contra os males existentes no mundo.Vemos em nossos dias uma proliferação,cada vez maior,de crimes,violências,injustiças,corrupção etc...aliada,muitas vezes com o mau exemplo daqueles que creem.

Se Deus existe ,por que permite isso? Se Ele é o criador de tudo então é também autor de todo o mal que se estadeia aos nossos olhos...

A resposta:Assim como a escuridão é a ausência de luz,e o frio a ausência do calor,o mal é a ausência de Deus nos corações humanos.Ademais,Deus sendo a própria Bondade,jamais permitiria algo de mal para nós,sem que pudesse desse mal tirar o Bem.

A falta de fé não se limita àqueles que não creem em Deus.Existe em nossos dias um outro tipo de ateísmo o qual afirma a existência de Deus,mas prega uma vida divorciada do Criador,como se Ele não existisse.É o chamado "Ateísmo Prático".

Não é verdade que Deus criou o homem e depois o abandonou ao seu livre arbítrio.Se Deus assim agisse,não seria Deus,pois Ele é Rei e Senhor da História e participa ativamente da luta de cada pessoa humana,está presente nos acontecimentos e orienta-nos constantemente:" O Senhor é quem dirige os passos dos homens ( Pr.20,24).Até os cabelos de nossas cabeças estão todos contados( LC 12,7).Se o homem se afasta de Deus,é devido às preocupações com as coisas do mundo e as riquezas,quer fugir do chamado divino e das obrigações inerentes à sua crença.

Se Deus não está presente em nossa vida,passaremos nossa existência toda à procura de coisas que no fundo não vão nos trazer felicidade.Vamos ser seres decepcionados,frustrados e sem paz,pois somente Deus pode satisfazer nosso desejo interior e dar-nos uma vida eterna e feliz. "

Diz Santo Agostinho:

Criaste-nos ,Senhor,para Ti, e nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Ti."



II. Natureza de Deus

3) Quem é Deus?

" É verdade que os gregos brilharam pelo filosofia,os romanos pelo direito e pela organização militar,os egípcios pela ciência e os demais povos orientais pelas artes.Coube porém ao povo judeu,iluminar a História Universal por uma luz especial: ser a nação portadora da Revelação Divina.

A revelação do Deus de Abraão, Isaac e Jacó,espírito puro e perfeitíssimo,Criador do Céu e da Terra,invisível e onipotente,é um ápice desconhecido pelos outros povos.

Deus disse a Moisés:
EU SOU AQUELE QUE É!

Grandiosa revelação.Em Moisés,Deus se revela a todo o povo judeu e a toda humanidade.Porém o misterioso nome com que o Senhor dá-se a conhecer está envolto numa luz indescritível,impossível de ser compreendida.

Quem é Deus?, segue-se a grandiosa resposta;"Aquele que é."
Mas como explicar isso?

4) O Sol, imagem de Deus

Os doutores da Igreja tentaram explicitar ao máximo o significado da auto-definição divina:" Eu sou aquele que é."E concluíram que só é possível compreender algo deste mistério divino através da comparação.
O Evangelho de São João apresenta uma profunda analogia que nos ajuda a levantar o véu da grande questão sobre a identidade de Deus: a da luz,Deus é luz,luz que é vida para os homens em Cristo (Jo 1,3-4).

Deus revela seu Ser,que é Luz.Ele comunica aos homens não somente algo de seu Ser,como Ele faz às criaturas inanimadas,mas às criaturas inteligentes faz participar de sua Vida e de sua Luz.A Luz se faz presente em Deus,na Criação,na Antiga Aliança e seus ritos,como na sua Lei,em Jesus Cristo e na sua Igreja,na vida moral e, enfim,na
Jerusalém Celeste.

Na imagem da luz,uma criatura vem à nossa mente como a mais evocativa figura de Deus: o Sol.
Grandioso,não apenas pela quantidade material( um corpo 1.300.000 vezes mais volumoso que a Terra e em constante combustão, a vinte milhões de graus Celcius).Ele simboliza ricamente outros atributos divinos.

Durante o dia,o luz do Sol penetra em todos os lugares.Ele nos faz lembrar que Deus está em toda parte ,nos espaços vazios,mas também nas sua criaturas.De um modo misterioso Deus está no interior de cada ser.Por isso, Deus está em toda parte e tudo está dentro de Deus,pois Ele abarca,com seu "tamanho" infinito e misterioso ( em Deus não há dimensões),todo o cosmos,incomensúravel às lentes dos nossos mais potentes telescópios.

É tal o valor simbólico do Sol e sua semelhança com Deus,que, na Bíblia,os autores sagrados usam-no para descrever as maravilhas divinas.Esse astro inigualável é uma imagem daquele "que iluminará a Jerusalém Celeste" com a face e as vestes resplandecentes de luz.O próprio Divino Mestre comparava-se a si mesmo com o Sol,dizendo: Eu sou a luz do mundo.Quem me segue não andará nas trevas,mas terá a luz da vida".

Através da contemplação do astro-rei,verdadeira parábola de luz,pode-se amar o Criador,pois admirando este reflexo da Bondade Divina,Deus nos convoca a brilhar como Ele, através da graça e de nossas boas obras,como sóis por toda a eternidade." (Mt 13,43;Jo 8,12;Mt 17.2;At 26,13;Ap1,16;Ap 12,1)

5) O auxílio da filosofia

Há um outro modo de conhecer mais sobre o ser de Deus:apalpá-lo na escuridão de nosso próprio intelecto com o auxílio da filosofia.Apesar de um pouco árdua , a linguagem filosófica nos dá uma noção mais clara da essência divina e foi São Tomás de Aquino,reconhecidamente um dos maiores filósofos do mundo ocidental,quem produziu a melhor explicação sobre a essência de Deus,de todos os tempos.Segundo ele, a revelação de Deus como "Eu sou",o uso do presente do indicativo significa a eternidade."Deus é" significa,em certo sentido,que Ele sempre foi,é, e sempre será.E esse "sempre ser" também sugere a imutabilidade de Deus.Deus não muda,é imutável.

Essa imutabilidade de Deus revela outros dois traços de seus atributos.Ele é perfeitíssimo,desde toda a eternidade não poderia ser melhor do que ja é.Nele está toda a beleza,bondade e poder.Desta posse de todos os bens deriva outro atributo divino: a bem-aventurança.Deus é feliz, de uma felicidade total,infinita e absoluta.

Eternidade,Perfeição,Onipotênc
ia e Felicidade absolutas.Quatro atributos divinos apontados por Santo Agostinho.Destas 4 características principais do Ser Divino derivam os demais atributos de Deus.

São Tomás nos diz ainda que há um sentido especial a ser considerado,o sentido ontológico, na afirmação "Eu sou".
Deus é.Apenas em Deus o ser é propriamente tal.Apenas Deus é o Ser por essência.Todas as criaturas são apenas seres por participação do Ser Divino.

Que seria das estrelas do firmamento sem Deus?Que seria das plantas,das árvores?Nada! Pois não existiriam.
Que seria dos homens? Menos que pó e cinza,pois nada seriam.Deus é o Ser na plenitude,a Vida em abundância,a Luz fonte de toda a luz,da qual dependem todas as criaturas como causa e sustentação de sua existência.

6) A visão da luz invisível

Deus como luz...Essa definição metafísica ( A metafísica (do grego antigo μετα [metà] = depois de, além de; e Φυσις [physis] = natureza ou física) é uma das disciplinas fundamentais da filosofia) é difícil de compreender num primeiro relance,porque assim como olhar para o Sol pode nos deixar cegos,assim compreender quem é Deus,para nós, é impossível nesta terra.É uma luz tão fulgurante que nossos pobres olhos não são capazes de ver diretamente.Não podemos compreender o Ser Divino,e só conseguimos atingir algo de sua grandeza por comparação com as coisas visíveis.Conhecemos Deus mais pelo que Ele não é...do que pelo que Ele é.Assim sabemos que Ele é eterno,pois Não nasceu e Não morrerá,pois sempre existiu e existirá;que Ele é infinito,porque Não pode ter fim;que Deus é imutável,pois Não pode mudar.Ele é perfeitíssimo.A luz de Deus é demasiado intensa,infinitamente brilhante em comparação com a luz que nossa razão pode captar.

Somos peregrinos rumo à casa do Pai.Só vemos alguns reflexos d´Ele nas criaturas e no rosto humano de Cristo,reflexo perfeitíssimo da glória do Pai.Mas quando chegarmos ao céu e contemplarmos face à face o Criador,"o veremos tal como Ele é( Jo 3,2).De uma beleza e perfeição maior que todos os astros,de um poder maior que todos os monarcas,Deus será a nossa eterna alegria e indizível consolação.Então,preparemos-no
s para essa magnífica viagem que empreenderemos depois dessa vida,pois,como diz o Salmista: na Sua Luz veremos a Luz ( Sl 36,10),"porque o Senhor Deus é nosso sol e nosso escudo,o Senhor dá a graça e a glória.Ele não recusa os seus bens àqueles que caminham na inocência."Feliz o homem que n´Ele confia".( Sl 83, 12-13)



III. Unicidade de Deus.

7) Quantos deuses existem?

Às margens do Tibre,nasceu uma civilização cujo esplendor ainda nos encanta:Roma.Durante um milênio, a História da Europa e do oriente esteve sob a égide dos romanos.

Como os demais povos da antiguidade,o politeísmo foi uma característica da religião romana.Para tudo havia um deus,inclusive o deus do vinho,da costura e das atividades mais banais.

A consideração do avança humano que Roma atingiu,suscita,naturalmente,em nosso espírito algumas perguntas:por que povos tão inteligentes e empreendedores praticavam uma religião muitas vezes tão primitiva e infantil?Por que acreditavam em mitos infantis tão improváveis e nada edificantes?

São Tomás de Aquino explica:um povo ou um homem pode se tornar politeísta devido à ignorância gerada pelo pecado,pois não é somente a falta de inteligência que dificulta a crença e o conhecimento dos seres puramente espirituais.Segundo,pelo desregramento das paixões,pois o politeísmo difundiu-se muito na antiguidade devido ao embrutecimento da inteligência,oriundo dos maus costumes.Pode ser também por conta da adulação,ao se prestar culto a homens famosos,como os cézares.

Diz ainda São Tomás que o politeísmo é insuflado pelo demônio.Por isso exclama o Salmista:"todos os deuses dos pagãos são demônios"(SL 95.5).

Alem dessas razões,Plínio Corrêa de Oliveira,acrescenta uma outra:narra o livro do Gênesis que, como castigo para os orgulhosos construtores da Torre de Babel.Deus confundiu as mentes dos homens.Esse enfraquecimento da luz da razão contribuiu para a queda massiva dos povos antigos no precipício do politeísmo.

"Então o homem,querendo ter deuses,procura fazê-los à sua própria imagem e semelhança,para se adorar neles."( PCO,conferências)

8) A criação nos fala de um único Deus

Assim como o enfraquecimento da razão é uma das principais origens do politeísmo,a inteligência bem regulada pelo bom senso pode nos demostrar que não é possível existirem vários deuses.

A primeira das muitas razões pelas quais se evidencia a unidade de Deus provém da própria criação.Por mais diferentes que sejam entre si todas as criaturas,possuem elas uma unidade ordenada e harmônica tão perfeita,que jamais poderiam surgir de diversas fontes.Uma só origem criou um mundo tão ordenado,no qual cada criatura depende da outra.

Deste modo,um vegetal serve de alimento a um animal,um animal serve de condução ao homem.Os homens,embora senhores da Criação por direito divino(cf.Gn 1,28),não podem viver sem os demais seres.A existência nesta ordem na natureza,desta unidade na Criação,reflete a Unidade do próprio Deus,único autor de todo o universo.( São Tomás de Aquino.Suma Teológica)

9) Deus é simples

A segunda razão pela qual podemos concluir a unicidade de Deus é atestada por sua simplicidade.Como coadunar a incomensurável perfeição,poder e beleza do Ser Supremo com sua simplicidade?

Quando a teologia fala de Deus simples,significa nada mais nada menos que Deus não tem corpo.Ao contrário do que acontece no mundo visível,onde todas as coisas são formadas por partes ou compostas de seres diferentes,em Deus não há partes nem composições,pois Ele é puro espírito. Deus é espírito perfeitíssimo e puríssimo e, portanto,indivisível e simplíssimo.

É verdade que o Antigo Testamento nos apresenta em certas passagens um Deus com "braço forte e vencedor" ( Cf. Sl 70,18 e Sl 19,7),com uma "face esplendorosa" ( Sl 43,4) e, portanto,com um corpo semelhante ao nosso,inclusive capaz de passear com Adão no Paraíso ( Gn 3,8).Todavia em outros trechos,afirmam os autores sagrados que o "Espírito de Deus pairava sobre as águas" ( Gn,1,2).O Profeta Isaías é mais claro ainda ao falar do "Espírito de Javé" ( Is 40,13), e São João,no Novo Testamento,afirma claramente que "Deus é Espírito"( Jo 4,24),reafirmando assim o Criador como Ser simples e espiritual,sem corpo nem matéria,sem membros ou partes,sem fusão ou composição.

Se em Deus houvesse uma parte,essa seria tão perfeita que seria Deus!Como não pode haver dois deuses,uma dessas seria um falso deus,pois um só é o Criador.Ora se Deus não possui partes e é espiritual,então Deus só pode ser um.

10) A perfeição divina exige unicidade

Há uma terceira razão donde se conclui que não pode haver vários deuses.
Verifica-se em nosso planeta maior quantidade de minerais que de seres vivos.E a quantidade de vegetais supera de longe a soma dos corpos dos animais e homens.Deus assim fez o Universo,porque os seres inanimados necessitam de maior quantidade de matéria para refletir de modo mais adequado as perfeições de Deus.A perfeição da qualidade é compensada pela quantidade.

Os seres dotados de espírito( homens e anjos) não necessitam principalmente de matéria para glorificarem a perfeição absoluta
do Criador,pois,pelo espírito,participam mais perfeitamente do próprio ser de Deus.E os anjos,por não possuírem matéria,não poderiam glorificar a Deus em si mesmo pelo quantidade.

O homem por sua vez,criado à imagem e semelhança de Deus,glorifica o Senhor com mais perfeição que todos os seres irracionais,pois possui uma inteligência capaz de conhecer a Deus e uma vontade hábil em amá-Lo.Por conseguinte,eles estão contidos numa única espécie,pois as qualidades da natureza humana glorificam mais a Deus que todas as espécies de animais e vegetais, e toda quantidade e diversidade de minerais.O homem é a obra-prima da criação visível.

No mundo angélico,muito superior ao humano,um só anjo traz em si tal perfeição de inteligência e vontade,que requer uma multiplicação de espécies.Assim,segundo São Tomás de Aquino,cada um deles constitui uma espécie à parte,distinta dos demais.Pois como eles são seres limitados,não podem conter em si todas as perfeições de Deus: é necessária uma diversidade de graus de natureza intelectiva.

Nessa mesma linha de pensamento,considerando a hipótese da existência de vários deuses,resultaria que deveria haver diversas espécies divinas.Desta forma,certas perfeições conviriam a um e não a outro,uns seriam mais perfeitos que outros.Esta afirmação seria absurda,pois,se assim fosse nenhum deles seria perfeito completamente.Nenhum deles seria verdadeiramente Deus!Em síntese,pela via da suma perfeição inerente ao Ser supremo,também devemos concluir que Deus só pode ser Uno!!!!!

 11) A unicidade de Deus na Bíblia

O Senhor disse ao profeta Isaías:"Eu sou o Senhor e não há outro,fora de mim não há Deus" ( Is 45,5);ou ainda como salientou Moisés:"Ouve,Israel,o Senhor nosso Deus é o único Senhor"( Dt 6,4).

Os israelitas foram,durante séculos,uma das poucas nações que acreditaram na existência de um único Deus.Hoje o politeísmo entendido em sua forma primitiva,se encontra em rápido processo de extinção,embora ainda haja populações entregues a esta prática religiosa.Os olhos da humanidade,antes crente nas absurdas e ridículas divindades,abriram-se à crença no Deus vivo,verdadeiro e único,após a Encarnação de Jesus.



12) Um só Deus,uma só verdade,uma só religião*

(* Afirmação feita segundo o espírito do Decreto Unitas Redintegratio sobre ecumenismo, e em harmonia com a Dominus Jesus)

A existência de um único Deus leva-nos a crer na existência de uma única religião verdadeira,porque seria contraditório que o mesmo Deus afirmasse duas ou mais doutrinas diversas.Deus não seria coerente se isso existisse;foi por isso que Nosso Senhor disse " Eu sou o caminho,a verdade e a vida ( Jo 14,6).Ele não disse " sou um caminho,uma verdade..."

Nos dias de hoje é muito comum ouvirmos a afirmação de que todas as religiões são verdadeiras.Mas se formos realmente sérios e contrapusermos o que nos diz Deus,logo concluimos que so pode haver uma verdadeira e outras não verdadeiras,pois não pode haver várias "verdades".A unidade divina nos convida,portanto,à uma unidade na Fé.A unidade é uma consequência do espírito cristão.Jesus rezou ao Pai para que sejamos um (Cf.Jo 17,21), e São Paulo exortou aos primeiros cristãos a confessarem "um só Deus,uma só fé,um só batismo,um só Deus e Pai de todos"( Ef. 4-3,6)








13) Deus está em todo lugar

Quando contemplamos a abóbada celeste num anoitecer de verão,percebemos que há miríades de estrelas que aos poucos vão se acendendo aqui, lá e acolá.Na verdade,além do que vemos,existem milhões e milhões de outras,que não conseguimos ver nem com a ajuda de bons telescópios.E há ainda um número quase incontável delas,que nem a ciência com todos os recursos que tem hoje,consegue ainda observar.
Pois bem,mesmo sendo o Universo tão imenso a ponto de nos parecer sem limites,há um Ser superior a tudo isso,que tudo criou,tudo governa e tudo vê:Deus infinito.Ele está presente em tudo,não há lugar onde Ele não possa estar,como diz o Salmista:"Tu me envolves por todo lado e sobre mim colocas a Tua mão.Onde poderei ocultar-me de Teu Espírito?Para onde poderei fugir de tua presença?Se subo aos céus,Tu estás lá;se derço ao mundo dos mortos ali estás também( Sl 138,5; 7-8).Também lemos nos Atos dos Apóstolo que em Deus"vivemos,nos movemos e existimos"( At 17,28)

14) O modo de Deus estar presente na criação

Ensina-nos São Tomás de Aquino que existem três modos de Deus estar presente na obra da Criação.Primeiro por potência,ou poder,pois tudo está submetido a seu domínio;se fosse possível Deus cochilar um instante,tudo voltaria ao nada.Segundo,por presença,visão ou conhecimento,pois tudo está patente e como que descoberto aos seus olhos;nada Lhe escapa,nem sequer os mais ocultos pensamentos.Terceiro,por essência ou substância,pois Ele está em tudo por causa do seu Ser.

Existem outras presenças de Deus,como a inabitação na alma do justo,através da graça.A presença hipostática,única e exclusivamente em Cristo,pela qual a humanidade adorável subsiste na própria pessoa do Verbo Divino.Por isso Ele é pessoalmente Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada.Temos também a presença sacramental, na qual Jesus está realmente presente nas espécies de pão e vinho.E há por fim a visão beatífica onde Ele se manifesta face a face aos bem-aventurados.

15) Lembremos-nos dia e noite do olhar de Deus

Deus está presente em toda parte e constantemente nos vê ( como já foi explicado nos envios anteriores).

Oh!quantos crimes seriam evitados,quantos problemas seriam resolvidos,quantas lágrimas seriam enxugadas,quantas aflições seriam suavizadas,se a humanidade tivesse consciência desse olhar de Deus sempre pousado em nós!Pois como diz o Salmista:" Deus está no Templo santo e no Céu tem o seu trono,volta os olhos para o mundo,seu olhar penetra os homens"( Sl 10,4).

Estamos aflitos,necessitados de uma palavra de conforto e ânimo para superar um obstáculo?Precisamos de um coração com o qual possamos nos abrir?Um amigo a quem falar?Por que não recorrer ao melhor dos amigos,ao mais suave,compreensivo e cheio de compaixão,que é o próprio Deus?Ele que disse:"Vinda a Mim todos que estais cansados e Eu hei de aliviar-vos" ( Mt 11,28).

Queremos servir a Deus com amor e perfeição?Lembremo-nos de seu olhar dia e noite.E nos compenetremos da presença de Deus em nossa vida a exemplo dos santos.

16) A oração torna a vida mais leve,suave e amena

A oração frequente é um meio eficaz para nos recordar a presença de Deus.É tão fácil-durante nossos afazeres,no trabalho,na escola, ou em casa,andando pela rua,dirigindo no trânsito ou já deitados para o descanso-fazer uma prece,uma jaculatória que seja,a Deus,ao Sagrado Coração de Jesus e Maria e oferecer-lhes os problemas da vida,pedir-lhes proteção e ajuda.Fazer isso sempre,com amor e confiança.Aos poucos a gente vai notar que a vida se torna mais fácil de levar.

Diz Jesus no Evangelho:"Pedi e recebereis;procurai e achareis;batei e hão de abrir-vos"(Lc 11,9).Por que desprezarmos essa promessa proferida por lábios que não mentem e que nos dá garantia absoluta de sermos ouvidos?Nosso Senhor,como que se inclina do Céu à terra à espera de que Lhe façamos pedidos,desde os mais simples até os mais ousados,para ter Ele a alegria de atender-nos e encher-nos de dons e graças.

17) A vida em Deus

As montanhas e o mar são grandes maravilhas,mas valem menos que uma árvore,pois esta possui um ínfimo grau de vida.,ausente na pura matéria inanimada.Se considerarmos as aves, em si mesmas são mais valiosas que as plantas,pois, o grau de vida que há nelas ultrapassa as faculdades dos vegetais.

Claro está que o ser humano,por ser capaz de observar tudo isso,tem um valor maior que todo o restante da criação.Conclusão:o que torna uma criatura mais ou menos importante é o grau de vida que possui.

O que é vida?

Baseado em Aristóteles, diz Sâo Tomas de Aquino:"É chamado vivo tudo que se move ou age por si mesmo."

Os homens contêm em si a totalidade da vida criada e visível,pois além dos graus de vida concernentes às plantas e aos animais,possuem uma inteligência que os faz capazes de conhecer,deliberar e escolher.

A vida,segundo São Tomás.não consiste simplesmente numa operação de funções vitais.A vida de determinado ser não é o que ele é capaz de fazer,mas o que ele é.Diz Aristóteles: "o ser para os que vivem é o viver".O ato de ser é o ato de estar vivo,com todas as capacidades próprias à sua natureza.Quando porém uma criatura morre,já não está apta para praticar o que lhe é próprio.

18) A vida de Deus

Se a vida é a capacidade de mover-se por si mesmo,Deus possui o máximo grau de vida,pois Ele é onisciente e onipotente.Deus,que é o ser que move todas as coisas e não é movido por ninguém,se conhece a Si mesmo e por inteiro,e nisto consiste sua perfeição.

Nossa vida é mais perfeita que a dos animais,porque somos capazes de saber o fim para o qual nos movemos.Esta capacidade é predeterminada pelos princípios infundidos por Deus em nossa natureza.Por esta razão somos dependentes de um intelecto superior a nós mesmos.Mas Deus não é assim,pois, por sua natureza é o seu próprio conhecer que exclui qualquer determinação por um ser superior.Por fim concluímos que Deus possui o sumo grau de vida,pois seu viver é o seu conhecer.A vida divina, portanto se identifica com o próprio Ser de Deus.

19) Eu também vivo em Deus

Deus é a suprema vida que criou todos os seres e os sustenta em Seu ser;mas, sem confundir-se com as criaturas,fá-las participar de Sua própria vida,pois os seres vivem por Sua própria natureza.Às criaturas deu o Senhor a capacidade de moverem-se por si mesmas,segundo a natureza que lhes cabe.

Diz São Thomas de Aquino:"Tudo se encontra em Deus e tudo é conhecido por Deus.E como todas as coisas que Deus fez,Nele estão conhecidas,segue-se que tudo, em Deus,é a própria vida divina."

Mas esta vida divina,impalpável aos nossos olhos,nos foi revelada de forma real e acessível na pessoa de Jesus Cristo.Sim,Jesus Cristo é a vida de Deus encarnada e tangível.Diz São João Apóstolo:" O que era desde o princípio,o que temos ouvido,o que temos visto com os nossos olhos,o que temos contemplado e as nossas mãos tem apalpado é no tocante ao Verbo da vida,pois a vida se manisfestou e nós a temos visto;damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna que estava no Pai e que se nos manifestou."( 1Jo 1-3)

Jesus é a vida de Deus.Esta vida nos revela,sobretudo a misericórdia e a bondade do Criador,pois,como diz o discípulo João na mesma carta:" nisto temos conhecido o amor:Jesus deu sua vida por nós.Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho.Quem possui o Filho possui a vida;quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.Isto vos escrevo para que saibais que tendes a vida eterna em vós,vós que credes no nome do Filho de Deus." (1Jo 11-13)

Se a vida é um dom de Deus concedido às criaturas,( S. Thomas de Aquino)é,sobretudo ao ser humano,o qual tem a capacidade de perceber este sinal de amor e soberania que vem do Criador,"porque Deus é senhor da vida e da morte" ( Sb,16,13;1Tm 6.13; 2 Mb 14.46).

O dom da vida é o primeiro que devemos agradecer a Deus,pois,através dele,estão abertas as portas do Infinito,para que o ser humano busque a Verdade e A ame, e possa,através da graça santificante,participar de forma acidental da própria vida de Deus.Na eternidade essa graça que Deus nos infunde na alma para nos santificar,será transformada em glória,em vida eterna e feliz no Céu.

Tobias nos exorta a esperar esta plena participação da vida divina que será dada ao homem na eternidade:" somos filhos dos santos ( patriarcas), e esperamos aquela vida que Deus há de dar aos que não perdem jamais a sua confiança nele"( Tb2,18).

20) Deus vive para sempre

O povo eleito sempre confessou numa linguagem clara e direta a eternidade de Deus.O que vem a ser a eternidade de Deus?Como defini-la?Mas antes de tudo vamos tentar entender o que é o TEMPO.

De onde vem o tempo?Ele sempre existiu?Existirá para sempre?E se em algum momento ele deixar de existir,o que haverá depois dele?

Aristóteles define o tempo como sendo o número do movimento segundo o antes e o depois.

O Eclesiastes também nos fala do tempo:

"Para tudo há um momento debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer;tempo para plantar e tempo para colher;tempo para chorar e tempo para rir;tempo para dar abraço e tempo para apartar-se;tempo para falar e tempo de calar-se."( Ecl 3,1-8)

O tempo tem princípio e fim. Já a eternidade não tem nem princípio nem fim.A palavra eternidade traz consigo a ideia do divino,por causa da ausência de origem e término.

Diz Santo Agostinho: " A eternidade é a mesma substância de Deus,na qual não há que seja mutável;ali não nada passado,nada que já não exista;nada que seja futuro como se ainda não existisse.Ali não há nada que não seja presente".

 21) A eternidade de Deus

O termo eternidade não se refere apenas a uma simples duração ilimitada,à ausência de começo e fim,mas exprime principalmente a imutabilidade de Deus.No Altíssimo não existem as mudanças presentes no mundo:nascimento e morte;início e término;transformação de uma coisa em outra,etc.Como vivemos no tempo,é-nos difícil imaginar a eternidade divina e poderíamos ser levados a imaginar a eternidade divina apenas como uma "existência larguíssima que não tem começo nem fim,como algo interminável.Mas a eternidade de Deus é muito mais que isso.A ideia do que não acaba nunca é precisamente uma consequência da plenitude de vida própria de Deus."

Somente em Deus há eternidade,pois apenas Ele é absolutamente imutável.Deus não pode crescer em conhecimento,pois tudo sabe.Deus não pode mudar de lugar,pois está em todos os lugares.Deus não pode se exercitar,se tornar mais belo, melhor e mais forte,pois já é a Perfeição absoluta.Se Ele melhorasse em alguma coisa,isto significaria que Deus era imperfeito antes de melhorar e que portanto não era Deus.Por conseguinte Deus é imutável em Si mesmo.

22) Eu também posso ser eterno

Todos nós desejamos ser eternos.O fim e a morte nunca nos serão deleitáveis.Em sua infinita misericórdia,Deus colocou na alma de cada homem uma "semente de eternidade", que o leva a aspirar e desejar algo que ultrapassa aquilo que o mundo lhe pode oferecer.Desta forma,"o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos,nem o seu princípio primeiro, nem seu fim último,mas participam do Ser em si,que é sem origem e sem fim."

Somos feitos para a eternidade.Todos somos chamados a participar desta vida interminável e imutável de Deus,na medida em que Lhe sejamos fiéis,pois Deus prometeu Ele mesmo ser nosso prêmio demasiadamente grande.

A consideração dessa eternidade com Deus nos convida a não deixarmos iludir pelas coisas do mundo que passam.

Com os olhos fixos na promessa divina,façamos o BEM enquanto temos tempo,pois é no tempo presente que preparamos nossa eternidade feliz,nos sofrimentos bem aceitos desda vida presente é receberemos a alegria de uma outra vida interminável,na qual participaremos da própria eternidade de Deus.

23) Deus conhece todas as coisas

A própria razão humana pode conhecer que a perfeição extraordinária das criaturas provém de uma inteligência,de uma ciência,de um conhecimento absolutamente superior.Já os próprios filósofos gregos confessavam que Deus é inteligência e que não pode interromper nunca a sua ação intelectual.A ideia do verdadeiro Deus inclui necessariamente a onisciência,da mesma maneira que a onipotência e a onipresença.

24) Como Deus conhece todas as coisas?

Contemplando o mundo mineral,vemos que se passam certos fenômenos físicos,como por exemplo as mudanças do estado físico da água..Mas a água não toma conhecimento disso. No plano vegetal,não há somente matéria,mas há algo mais palpável que é a vida da planta.Mas as plantas também não tomam conhecimento do que se passa com elas,enquanto elas nascem crescem vivem e morrem.Elas não têm capacidade de um conhecimento inteligente a respeito de si mesmas. Quanto ao reino animal,além da matéria mineral e vegetativa,esse reino já possui um grau de vida superior,que não é espiritual,mas imaterial:são capazes de movimentos guiados pelo instinto,que os preserva dos males e os fazem tender ao bem. E nós,seres humanos? Nós temos uma parte espiritual: a alma,que nos faz capazes de conhecer.Esse conhecimento depende dos 5 sentidos (visão,audição,olfato,paladar e tato).Como a alma e corpo formam uma só unidade,as próprias operações da alma dependem da integridade do corpo.Isso faz com que o conhecimento humano não seja absoluto,mas paulatino e limitado. E os anjos? Eles não dependem dos sentidos,pois são puros espíritos,mas são criaturas como nós.Desse modo,o conhecimento dos anjos, embora muito mais perfeito que o nosso, esbarra nas limitações próprias à sua natureza angélica. E o conhecimento de Deus?

25) O conhecimento de Deus

Nas considerações que foram feitas aqui sobre os vários planos da criação,constata-se que os seres têm tanto mais possibilidades de conhecer,tanto mais são espirituais e , inversamente,tanto menos,quanto mais são matéria.

O Criador é o ser espiritual por excelência,portanto,não tem matéria que limite sua atuação;por outro lado,Deus não é criatura e sim Criador e como ...
tal,infinito.É n´Ele que todas as coisas existem,e,portanto,Ele conhece tudo em Si mesmo.As criaturas todas deixariam de existir se,por hipótese absurda,Deus deixasse de conhecer e sustentar cada ente a cada instante.

A onisciência de Deus compreende todas coisas. Em sua divina sabedoria,o Criador conhece os mais ínfimos seres e cuida deles até os últimos pormenores;assim age com as aves do céu,com o trigo dos campos,e nenhum cabelo da nossa cabeça cai sem sua permissão( Mt,6,25-30;10,29-31).

"Deus sonda os abismos e o coração humano,e penetra os seus pensamentos mais sutis,pois o Senhor conhece tudo o que se pode saber.Ele vê os sinais dos tempos futuros,anuncia o passado e o presente.,descobre o vestígio das coisas ocultas"(Eclo,42,18-19)
 







26) Deus conhece a si mesmo

Deus é o único ser capaz de compreender a si mesmo de forma perfeita.Ele também se vê refletido em toda a obra da Criação.Diz Santo Agostinho:"Deus vê em si mesmo todas as coisas."
Somente Ele mesmo pode ser objeto adequado e digno de sua infinita inteligência,pois sendo Ele infinito,somente um ser infinito poderia compreendê-Lo.Ora,esse outro ser infinito não existe,portanto,somente Ele se conhece a si mesmo com perfeição absoluta,inimaginável para nossa simples e limitada razão.
Em Deus Pai o conhecimento de si mesmo é tão perfeito e supremo que gera o Filho, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.Por sua vez,o amor que o Pai tem pelo Filho é tão perfeito que dele procede uma terceira pessoa: O Espírito Santo.Mistério inacessível à inteligência humana...

 27) Deus conhece os pensamentos dos corações

Deus conhece cada homem e o acompanha em todos os seus atos e pensamentos.
Diz-nos São Paulo que em Deus nós existimos,nos movemos e somos:" n´Ele é que temos a vida,o movimento e o ser"(At,17,28).
Diz o Eclesiástico que Ele sonda todos os corações e penetra todos os desígnios do espírito.Se O procuras,Ele deixar´se-á encontrar por ti;mas se O abandonas Ele te rejeitará para sempre.
Deus vê os sinais dos tempos futuros,anuncia o passado e o porvir,descobre o vestígios das coisas ocultas.Nenhum pensamento Lhe escapa,nenhum fato se esconde a seus olhos.( Eclo,42,18-20)
 

28) Deus nos chama a participar de sua sabedoria

Pela inabitação da Santíssima Trindade,Deus mora em nosso interior através da vida da graça,a qual aumenta extraordinariamente em nós a capacidade de conhecer,pois nos torna semelhantes a Deus,participantes da sua vida divina.Ora,viver como Deus significa operar de modo semelhante ao Criador.Este m...
odo divino,do qual a graça nos faz capazes,consiste em amar e conhecer.Ao nos comunicar a graça,conhecemos a Deus e as criaturas de modo semelhante a que Ele mesmo conhece a Si mesmo e suas obras.Deus nos faz assim participar de sua própria sabedoria.
Deus me conhece e posso,pela graça,conhecer a mim mesmo como Ele me conhece.Com o conhecimento de Deus infuso em minha alma,todo o universo toma um prisma diferente,inclusive os acontecimentos de minha vida cotidiana.
Deus conhece as minhas dores,as minhas dificuldades,as minhas aflições.Ele quer me ajudar,mas espera que eu recorra a Ele,com confiança em sua infinita misericórdia.


29) Deus é amor

O amor é uma faculdade comum a todos os homens,pois todos são capazes de amar.Em nosso cotidiano,o amor se direciona a diversas criaturas.Amam-se os familiares,vizinhos e amigos,amam-se até mesmo os animais e objetos inanimados.
Ora,se o homem é capaz de amar,que se dirá de Deus?E,de fato Deus não possui propriamente amor;na verdade,como nos revela São João,"Deus é amor"( 1 Jo,4,6),pois o próprio ser de Deus é Amor.Portanto,esta frase não é somente poética,mas nela encontra-se uma verdade teológica de uma profundidade insondável.

30) A semelhança entre o amor divino e o humano

Para compreender algo do amor divino é necessário,antes,definir o que é amor humano.São Tomás de Aquino ensina que,por mais que sintamos o peito bater mais intensamente,o amor não é apenas um sentimento expresso pelo coração;amar não é permanecer longas horas pensando em uma pessoa e imaginando situações.

A teologia ensina que amar é querer bem.Quando queremos algo,amamos.Nossa vontade entende o bem que existe nas criaturas, admira esse bem e tem vontade de possuí-lo.Isto é amar,isto é querer bem.

Santo Agostinho afirma que a "consumação de todas as nossas obras é o amor.É nele que está o fim:é para a conquista dele que corremos;corremos para lá chegar e uma vez chegados,é nele que descansamos."

O amor é mais autêntico quanto mais é ordenado.Da mesma forma que o amor humano verdadeiro,o amor de Deus jamais é irracional.Alem disso como Deus é onisciente,Ele ama com a máxima intensidade possível.Semelhante ao nosso amor,o amor de Deus caracteriza-se por querer para o amado aquilo que é bom.O amor de Deus é um amor maximamente perfeito.
31) O amor que Deus tem por nós 

 O amor divino está expresso na história do filho pródigo,narrada pelo próprio Jesus ( Lc 15,11-25).
O filho mais moço de um homem pede a seu pai sua parte na herança e parte de casa.Em terras distantes vive uma vida de libertinagem e gasta toda a herança recebida do pai.Num momento de penúria pensa na casa paterna e resolve voltar bastante arrependido.O pai ao vê-lo de volta o braça e não quer nem mesmo escutar seu pedido de perdão.Arruma roupas novas e manda fazer uma festa.Verdadeira imagem do amor que Deus tem para conosco.

 






32) O amor de Deus Criador 

 O amor de Deus tem uma peculiaridade:infunde e cria bondade nas criaturas,por isso, "este mundo foi criado e continua a ser conservado pelo amor do Criador."Diz-nos São Tomás de Aquino.Então tudo aquilo que existe de belo e bom na criação,existe porque Deus o amou desde toda a eternidade,ou seja,o amor de Deus é criador,cria porque ama.Deus amou sobretudo o homem,fazendo...
-o rei da criação e dando-lhe a capacidade de retribuir este amor divino.

Mas esse amor de Deus deseja reciprocidade.São Tomás ensina que este amor de Deus aos homens não cessa,é gratuito e sem limites e tem duas características essenciais:pela força de união,quer unir-se a nós,dando-se a si mesmo,vivendo em nós através da graça;e em virtude da coesão,quer aperfeiçoar a quem Ele ama,quer nos ajudar em nossas dores,em nossas quedas...Ele quer nos santificar.

O amor de Deus por nós quer nos comunicar o bem maior da criação que é a sua graça,ou seja,a participação em sua vida bem-aventurada que nos faz semelhantes a Ele e nos dá a possibilidade de conhecê-Lo e amá-Lo como Ele mesmo se conhece e se ama.

Deus nos ama infinitamente!Ele quer conversar conosco,quer nos consolar em nossas aflições,compartilhar Sua alegria infinita,quer ser nossa pai,amigo e irmão,pois como disse Jesus,imagem humana desse amor divino,"Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância". ( Jo 10,10)




33) O amor de Deus pelos pecadores

Lemos na Bíblia que Deus manisfestou através dos profetas,um grande amor ao povo de Israel,chamado de "povo eleito".Esse amor é eterno,pois " os montes podem mudar de lugar,as colinas podem abalar-se,mas meu amor não mudará" ( Is 54,8;Jr 31,3).Esse amor é mais forte que o amor de um pai,ou mesmo de uma mãe por seus filhos;pois assim como o pai do filho pródigo o...
perdoou,Deus sempre foi em auxílio do povo de Israel,mesmo quando esse povo se afastava d´Ele.Um exemplo bíblico desse amor é a libertação da escravidão do Egito.Para realizar essa proeza humanamente impossível,Deus realizou prodígios admiráveis,até abrir as águas do Mar Vermelho para os hebreus o atravessarem a pé enxuto...
Fez brotar águas das rochas;cair alimento do céu,culminando tudo isso com as Tábuas da Lei,onde o próprio Deus transmite ao povo os Dez Mandamentos.
Deus ama o homem,ainda que tenha caído " sob a escravidão do pecado",pois este amor onipotente pode sobrepor até as piores infidelidades.
"O amor de Deus para conosco é,pois, um amor de benevolência e amizade;amizade tanto mais generosa quanto mais miseráveis nós formos" ,diz Garrigou-Lagrange.
 



34) Jesus e o amor de Deus

 
"Deus amou tanto o mundo,que enviou seu Filho único"(Jo 3,16).
Jesus manifestou este grande amor de Deus pelos homens em diversas parábolas sendo as mais conhecidas as do Filho Pródigo e a da Ovelha Perdida.Jesus é esse pai que fica louco de alegria com a volta do filho pródigo; é o pastor que se alegra quando encontra a ovelha desgarrada.Por essa razão nós não podemos perder a confiança nesse amor infinito de Deus por nós pecadores.
De tal maneira Deus é amor,que a relação entre o Pai,o Filho e o Espírito Santo, é sobretudo uma relação de amor eterno.E através da graça, Deus nos chama a amá-Lo como Ele mesmo se ama!Deus como que nos empresta sua própria capacidade de amar.

35) Deus ama 

  É esse amor que move cada cristão a praticar os mandamentos e suportar com paciência todos os sofrimentos dessa vida.É a firme convicção desse amor de Deus por cada um de nós,ainda que pecadores,que nos faz querer conhecer os mistérios insondáveis da Fé e de sermos firmes nos propósitos de santidade.Pois ser santo nada mais é que refletir de um modo mais perfeito essa imagem do amor divino,é corresponder a esse amor e refleti-lo na benevolência para com o próximo.Para esse amor todos os cristãos são chamados,pois o apelo à santidade é para todas as pessoas,é também para mim que leio esse resumo.Deus nos ama.Que mistério consolador!

Resumo do livro "Deus...quem Ele é?"

36) Deus é justiça

A justiça é uma das virtudes mais caras ao ser humano.Em sua noção geral,foi definida pelo autor latino Ulpiano como " a constante e perpétua vontade de dar a cada um o que lhe pertence".
Em Deus,Ser perfeito e absoluto,não pode haver qualquer nódoa de injustiça,mas sim,toda a justiça.Devemos entender a justiça divina em dois aspectos:primeiro sua justiça intrínseca,pela qual ...
Deus não pode pecar,não pode cometer algo fora dos ditames da justiça,pois se o fizesse,Ele não seria Deus.Assim, a justiça divina se identifica com sua santidade.
Por outro lado,as ações de Deus em relação aos homens procuram obedecer aos ditames da sua justiça.Por isso Deus é capaz de punir ou premiar as ações humanas.
A justiça divina não possui apenas o aspecto punitivo que,face à mentalidade moderna,pode parecer intolerante.Na verdade,ela supera nossa justiça humana em vários sentidos,pois a justiça de Deus está relacionada à própria essência divina.Deus é justiça!

Resumo 36 do livro "Deus...quem Ele é?"
37) Deus sendo justo,pode nos pedir o impossível?
O plano de Deus a respeito de cada pessoa é altíssimo.Cada um de nós é chamado a ser santo como Ele é santo ( Lv 11,24-25).Será,então, justo esse chamamento de Deus à santidade,considerando a nossa fragilidade????
É evidente que nenhum decreto da Sabedoria Divina pode ser injusto;seria mesmo irreverente pensá-lo.A resposta ,portanto é afirmativa e ...a explicação Jesus no-la dá no Evangelho:" para o homem é impossível,mas para Deus NADA é impossível" ( Mt 19,26).
Deus nos dá sempre todos os meios necessários para nossa salvação e jamais nega a graça necessária para o homem aderir ao bem e repudiar o mal...Como diz São Cipriano de Cartago:"àquele que procura o Reino e a Justiça de Deus,Ele dá tudo por acréscimo.Com efeito tudo pertence a Deus: nada faltará àquele que possui a Deus se ele próprio não faltar para com Deus".
38) Deus é justo na recompensa?
Deus nunca falha na recompensa de nossas boas obras.Inclusive concede a recompensa nesta terra ( Mt 6,5). E este prêmio é sempre proporcional ao grau de mérito,de glória e de amor a Deus,ensina o concílio de Trento.
De fato,a adoção filial torna-nos pela graça,partícipes da natureza divina,"co-herdeiros" de Cristo e dignos de obter a "herança prometida da vida etern...
a".Como afirma Santo Agostinho: " a graça precedeu;agora se restitui o que é devido.Os méritos são dons de Deus"
Deus recompensa nossas boas obras com incrível generosidade,pois prometeu-nos o cêntuplo já aqui na Terra e infinitamente mais no céu (Mt 19,29)E tem mais: Deus prometeu ser Ele mesmo a " nossa recompensa demasiadamente grande ( cf. Gn 15,1).

Do livro "Deus...quem Ele é?"




39) Deus é justo quando castiga?
A justiça divina se manifesta nas penas permitidas por Deus ao homem pecador.A primeira dela é a dor da própria consciência que o acusa pelo pecado cometido contra a lei de Deus impressa no mais íntimo do coração humano e revelada com toda a clareza pelas Escrituras.( S.Thomas de Aquino)
Porém,por trás do castigo está a bondade de Deus,pois a dor da consciência co...nvida ao arrependimento e à confissão da própria miséria.
Deus condena o pecador impenitente ao inferno?O assunto é polêmico,mas a Sagrada Escritura é pródiga em exemplos e sentenças sobre a matéria. Deus pode castigar com o fogo do inferno,pois é onipotente,embora Ele não use todas as possibilidades de Seu poder infinito para punir o pecador à altura da ofensa cometida.Também não podemos esquecer que essa visão da justiça de um "Deus,juiz íntegro e perpetuamente vingador" ( SL 7,12),não é a única face de Deus.
40) Deus justifica

Além do castigo e da recompensa,a Justiça de Deus também uma outra ação positiva para comigo:ela pode me justificar,tornar-me justo como Deus mesmo o é.Jesus Cristo é,em Pessoa,o caminho da perfeição e da justificação.Ele é o fim da Lei,porque só Ele ensina e confere a justiça de Deus:" o fim da Lei é Cristo,para a justificação de todo crente."( Rm 10,4)
Então,Deus justo pode s...er também misericordioso?
Da fonte de toda justiça que é Deus,procede também um oceano de misericórdia.A onipotência e justiça de Deus se manifestam plenamente em sua misericórdia,capaz de perdoar e santificar.Nem mesmo nossa miséria é obstáculo ao amor infinito de Deus.
Misericórdia,diz Santo Agostinho,significa "dor pelo miserável".A palavra inclui outras duas:miséria e coração.Fala-se de misericórdia quando a miséria alheia sacode o nosso coração.Misericórdia,portanto é a capacidade de Deus de amar e se importar com quem se tornou indigno de sua benevolência: nós pecadores.

Do livro "Deus...quem Ele é?"
41) O que é a Providência Divina? 

Todos conhecemos bem o episódio bíblico da Venda de José que depois se tornou o segundo homem do Egito e salvou depois o povo eleito de ser exterminado pela fome. A cena da autorevelação de José aos irmãos é comovente. O próprio José explica a grandeza do acontecimento: " Não fostes vós que me fizestes vir parar aqui. Foi Deus. Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveito-o para o bem e um povo numeroso foi salvo ( Gn 45,8; 50,20).
...Quantas e quantas vezes na História da Salvação, Deus em sua onipotente Providência, tira um bem consequente do mal,mesmo moral, causado pela própria pessoa humana. São Paulo cheio de admiração exclama: Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência de Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos!"( Rm,11,33).
Ensina o Catecismo que "a Providência divina consiste nas disposições pelas quais Deus conduz tudo, com sabedoria e amor, todas as criaturas para o seu fim último. Diz o Concílio Vaticano I que "Deus guarda e governa, pela Providência, tudo quanto criou, atingindo com força de um extremo a outro e dispondo tudo suavemente". Tudo isso com vista à nossa salvação eterna.

42) A Providência Divina limita a liberdade do homem?

Existem os predestinados à salvação ou à condenação?
Não,absolutamente! A Igreja rejeita esse erro como contrário à esperança e ao temor cristão,porque leva o homem ao desespero ou à presunção de se salvar sem merecer.
Existe uma distinção entre providência e predeterminação.Se Deus determinasse todos os atos humanos,sua salvação ou perdição,onde estaria a liberdade humana?E o livre arbítrio?
Ora,Deus é Senhor soberano de seus planos.Mas para realizá-los serve-Se também do concurso das criaturas.Ele não só permite às Suas criaturas que existam,mas confere-lhes dignidade de agirem por si mesmas,de serem causa e principio umas das outras e de cooperarem,assim,na realização dos desígnios divinos.
Ensina a doutrina cristã que Deus concede aos homens a participação na Sua Providência,confiando-lhes a responsabilidade de " submeter a terra e dominá-la Gn,1 26-28). Assim concede-lhes que sejam causas inteligentes e livres para completar a obra da criação e aperfeiçoar a sua harmonia,para o seu bem e o de seus semelhantes.
Muitas vezes somos colaboradores inconscientes da vontade divina,mas podemos entrar deliberadamente no plano divino como colaboradores de Deus,através de nossas orações,obras de apostolado e sofrimentos. Tornamos-nos assim plenos colaboradores da causa do Reino de Deus.


43) A Providência não poderia evitar o mal e o sofrimento?

Por que Deus permite tantos acontecimentos dolorosos? Por que Deus permite o mal sobre a Terra?
A essa questão tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a essa questão. É a bondade do Criador,o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora do seu Filho, pelo dom do Espírito Santo, pela agregação à igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir,mas à qual podem também de antemão negar-se, por alguma razão misteriosa. Assim toda a mensagem cristã é em parte uma resposta ao problema do mal.
Diz São Tomás de Aquino que Deus bem poderia no seu poder infinito ter criado um mundo melhor. No entanto na sua sabedoria e bondade infinitas Deus quis criar livremente um mundo " em estado de caminho" para a perfeição última. "E juntamente com o bem físico existe o mal físico que durará enquanto a criação não tiver atingido a perfeição."


44) A Providência pode evitar o mal moral?

Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor referencial. Assim, podem desviar-se do seu fim último ordenado e racional e, de fato, pecar, como narra a História e nossa própria experiência. Foi assim que entrou no mundo o mal moral, ou seja, o pecado, incomensuravelmente mais grave que o mal físico. Deus não é de modo algum,nem direta nem indiretamente, causa do mal moral. No entanto, permite-o por respeito à liberdade da sua própria criatura, e misteriosamente sabe tirar dele o bem. Como no caso de José do Egito, Santo Agostinho afirma que "Deus todo-poderoso [...] sendo soberanamente bom, nunca permitiria que qualquer mal existisse nas suas obras se não fosse suficientemente poderoso e bom para do próprio mal, fazer surgir o bem. "Já Santa Catarina de Sena declarava: " tudo procede do amor, tudo está ordenando para a salvação do homem, e não com nenhum outro fim." São Tomás Moro,ministro de Henrique VIII disse para consolar sua filha quando estava para ser decapitado: " Nada pode nos acontecer que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade MUITO BOM." E Juliana Norwich disse sobre o mesmo assunto: Compreendi um dia com a graça de Deus, que era necessário crer com muita firmeza que todas as coisas serão para o bem [...]". E para terminar São Paulo afirma que que " tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus" ( Rm 8,28).

Do Livro "Deus...quem Ele é"?

45) A fé na Divina Providencia

A fé na Providência nos convida à confiança de que Deus pode tirar o Bem até do Mal. De fato, o maior crime praticado na História, como o foi a condenação e morte de Jesus, o Filho amado de Deus, Deus, pela superabundância de sua graça ( Rm 8,28), tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção.
Portanto...confiança. Ainda quando nos sintamos nesta vida desorientados, sem rumo certo ou numa verdadeira avenida de "becos sem saída", devemos nos lembrar de que Deus guia nossos passos. Os caminhos divinos podem ser, de fato, desconhecidos e dolorosos, mas devemos, tanto nos imprevistos miúdos do dia-a- dia, como, e sobretudo nos grandes dramas da existência humana, ver os dedos discretos, amorosos e eficazes de Deus, guiando a trama de nossa vida. Assim seremos verdadeiramente tranquilos e pacientes, abandonando-nos totalmente aos cuidados da Providência Divina.

46) Deus pode tudo 

Quantas vezes, ao pensar sobre a situação do mundo ou a respeito dos sofrimentos da vida, o leitor já não terá se preguntado "onde está Deus"? Por que Ele parece ausente ou incapaz de impedir o mal? Desta forma, nossa fé em Deus Pai todo poderoso pode ser posta à prova pela experiência do mal e do sofrimento.
Todavia, de todos os atributos divinos só a onipotência é nomeada no Credo! Confessá-la é de grande alcance para nós. Então o que significa ser DEUS PAI TODO-PODEROSO?Acreditamos que a onipotência de Deus é universal, pois foi Deus quem criou o universo e tudo governa e tudo pode ( Gn 1,1: Jo 1,3); é amorosa, porque Deus é nosso Pai ( Gn 1,1; Jo 1,3); é misteriosa, porque só a fé a pode descobrir, quando ela atua na nossa fraqueza ( Cor 12,9; Cor 1,18).
As Sagradas Escrituras confessam a cada passo o poder universal de Deus. Ele é chamado "o Poderoso de Jacó, o Senhor dos Exércitos, o Forte, o Poderoso". Ele é onipotente "no céu e na terra" ( Sl 135,6), porque Ele tudo criou. Portanto nada Lhe é impossível (Jer 32,17; Lc 1,37). Ele dispõe à vontade da sua obra (Jer 27,5). Ele é senhor do universo, cuja ordem foi por Ele estabelecida. Ele governa a História, os corações e os acontecimentos. Por isso se lê no Livro da Sabedoria: "o vosso poder imenso vos assiste, quem poderá resistir à força do vosso braço?" (Sb 11,21).


47) Deus pode tudo ( continuação)
Às vezes o mal e o pecado parecem aos nossos olhos como que uma sombra sobre o poder de Deus.Isso se deve ao fato de que Deus atribui às criaturas parcelas de poder e respeita essa capacidade de atuarem independentemente.As criaturas racionais( nós),não são meros marionetes,nem escravas de instintos predeterminados,como os animais irracionais;são isso sim,seres capazes de amar a Deus,mas também de O ofendê-Lo.Os anjos e os homens,devido à capacidade de inteligir e, em consequência,querer ou rejeitar o que entenderam,são imagens de Deus todo poderoso e livre.Ainda que tanto os anjos como os homens possam optar por ofender a Deus,mesmo assim a onipotência divina é glorificada,pois Deus não é um ditador das vontades de suas criaturas,mas tolera o mal no mundo por respeitar seu próprio desígnio de liberdade.
Por isso,considerando superficialmente a situação do mundo,o Onipotente parece impotente aos nossos olhos,por não intervir.Mas essa aparente passividade divina se explica pelo fato de Deus querer dar um exemplo de humildade,agindo discretamente na História,de forma que somente aqueles que têm fé possam discenir-lo nas entrelinhas dos acontecimentos humanos.

48) O que Deus pode?
A onipotência de Deus é o atributo mais relacionado com sua infinita grandeza e total superioridade em relação a todas e cada uma das criaturas.
Para melhor compreendermos a profundidade do poder divino,comparemo-lo,pois, aos poderes humanos:quanto mais uma pessoa é poderosa,mais goza de dignidade,prestígio e valor.Ao contrário,a ausência de poder,a impotência,diminui a grandeza de uma pessoa.
O poder possui graus.Existe o poder individual que pode ser físico,moral,intelectual.Existe também o poder social,que pode ser político,econômico e religioso,poderes pelos quais alguém exerce sua ação,não sobre um indivíduo,mas sobre uma sociedade.
Observamos que o poder físico ou exterior é incerto e aleatório.O poder econômico está sujeito aos movimentos de câmbio...etc.
Por outro lado,o poder espiritual ou interior está enraizado de modo mais próprio dentro do ser.Daí se verifica a superioridade do poder daquele que,por exemplo é mais inteligente ou sábio,sobretudo daquele que possui virtudes morais.Pois segundo São Tomás," quanto mais excelente a pessoa,maior o poder".Como Deus é o ser perfeitíssimo e máximo,com supremo valor pessoal,possui,em consequência,o máximo poder: A ONIPOTÊNCIA.Deus é poder


49) Qual é o auge do poder divino?
Para Batista Mondin, " o Universo,é um pequeno espelho do poder de Deus". De fato a criação não é uma emanação necessária da substância divina,como se cada átomo do universo fosse uma partícula de Deus,como se tudo fosse divino( panteísmo).Deus cria o Universo do nada,por puro desígnio de bondade,pois sendo Ele plenamente feliz em si mesmo,não necessitava criar nada.
Sobre o auge do poder de Deus,diz São Teófilo de Antioquia:"Que haveria de extraordinário se Deus tivesse criado tudo a partir de algo preexistente?O poder de Deus,porém,mostra-se precisamente quando parte do nada para fazer tudo o que quer.O auge da onipotência divina é criar tudo do nada."
Do livro "Deus...quem Ele é?"


50) Deus poderia criar um mundo mais perfeito?
Oh quão bom seria um mundo sem maldade,sem crimes,sem baratas...insetos.São Tomás de Aquino explica que,absolutamente falando( em teoria),dado que a imaginação de Deus é infinita,poderia criar Universos mais perfeitos.Porém,na ordem das coisas,criou o mais conveniente,o mais apropriado,de tal sorte que criou o melhor no seu conjunto.
Resumo do Livro "Deus...quem Ele é?"

51) Porque podeis tudo,de todos vos compadeceis
Alguém poderia pensar que esse onipotência de Deus afasta de Si os pobres mortais,abandonando-os assim no abismo de nossa pequenez sem se importar com nosso destino.
Mas não é assim! São Tomás observa que a onipotência divina não é de modo algum arbitrária:" Em Deus,o poder e a essência,a vontade e a inteligência,a sabedoria e a justiça,são uma só e mesma coisa,de modo que nada pode estar no poder divino que não possa estar na justa vontade de Deus ou na sua sábia inteligência".A Igreja nos ensina que Deus é " Pai todo-poderoso".Ele mostra sua onipotência paterna pelo modo como cuida de nossas necessidades;pela adoção filial que nos concede e enfim,pela misericórdia,perdoando livremente nossos pecados.
Mesmo quando nos permite o sofrimento,embora muitas vezes não percebamos,seus desígnios de bondade estão lá,pois o adágio popular " Deus escreve certo por linhas tortas" nunca foi desmentido.
Só a Fé pode aderir aos caminhos misteriosos da onipotência de Deus.Esta Fé se gloria nas suas fraquezas,para atrair a si o poder de Cristo.Devemos como Maria acreditar que tudo é possível para podermos dizer com Ela:
O PODEROSO FEZ POR MIM MARAVILHAS E SANTO É O SEU NOME.
Resumo do Livro "Deus...quem Ele é?"

52) O poder do Crucificado
Deus Pai revelou a sua onipotência suprema ao vencer o demônio e o pecado e nos revelou isso na morte e ressurreição de Seu Filho Jesus.Através desse mistério,Cristo venceu o mal e manifestou em plenitude a onipotência divina.Foi na Ressurreição e na exaltação de Cristo que o Pai "exerceu a eficácia de sua poderosa força" e mostrou a "incomensurável grandeza que representa o seu poder para nós,os crentes" ( Ef 1,19-20)Por isso São Paulo afirma que Cristo crucificado é " força e sabedoria de Deus.Pois o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens" ( Cor,1,25)
De modo semelhante a Jesus Crucificado,o cristão participa desse poder de Deus na dor,transformando-se em outro Cristo,ao unir-se a Ele,através das grandes e pequenas cruzes da vida cotidiana.Pela paciente e amorosa aceitação dos sofrimentos presentes,poderemos um dia reinar com Ele para sempre.
Ainda nos ensina o Catecismo que " nada é mais próprio para firmar nossa fé e nossa esperança do que a convicção,profunda de que nada é impossível para Deus,basta que nossa razão tenha a ideia da onipotência divina para admiti-lo facilmente.
A onipotência divina nos convida a crer não somente nos desígnios de Deus a nosso respeito,mas em querer transmitir ao mundo a Boa-Nova do Evangelho.Ela é o penhor da vitória do Reino de Deus em todo o mundo,para toda a sociedade e para todos os dramas da vida de cada pessoa humana.
Do Livro "Deus...quem Ele é?"


53) Deus é feliz
Felicidade...Não há ser humano que não a procure.Essa procura está enraizada no próprio ser dos homens e ela não termina nem mesmo com a morte.O que é propriamente ser feliz?Onde encontrar a felicidade?E se a encontrarmos será verdadeira?Será perene?
A Igreja católica tem as respostas contidas na doutrina sobre a felicidade divina.Felicidade esta da qual somos chamados a participar.Esta felicidade suprema não será nem passageira,nem falsa,nem oculta,mas sim infinita e mais acessível do que se pensa.Deus, Ele mesmo goza da felicidade absoluta,eterna e perfeita:"Deus é feliz"( 1 Tm6,15).
Para entendermos algo dessa felicidade divina,é necessário definir com clareza em que consiste a verdadeira felicidade humana.
Resumo do livro "Deus...quem Ele é?"

54) O que significa ser feliz?
A felicidade é a nossa aspiração constante.Mas...onde encontrá-la?
Entre os gregos alguns diziam estar a felicidade na prática da virtude ( estoicismo),outros ,nos prazeres dos sentidos ( epicuristas),outros na sabedoria,como Sócrates,Platão e Aristóteles.Todavia para a Igreja Católica,a felicidade está,no dizer de Boécio," em um estado perfeito onde se assomam todos os bens".Santo Agostinho se refere a um tipo de felicidade superior,mais espiritual e que não se resume à felicidade dos prazeres terrenos.
Já o grande São Tomás de Aquino distingue várias formas de ser feliz.Para ele existe a felicidade dos prazeres terrenos,alguns lícitos como saborear uma boa comida,outros ilícitos como se embriagar.Existe a felicidade do mando e da riqueza que podem fundamentar-se no vício do orgulho.Existe a felicidade da admiração...Entre tantas variedades de formas de felicidade,das quais todos nós já gozamos em maior ou menor grau,percebemos que são todas meramente naturais e não preenchem a lacuna que sentimos no nosso interior,que nos leva a desejar sempre mais e mais uma felicidade superior a nossos próprios limites.Esta sede infinita de felicidade,pela qual nosso coração palpita em desejos de maneira ininterrupta,consiste em querer a participação da felicidade da qual o próprio Deus goza.
Resumo do livro "Deus...quem é Ele"?

55) A felicidade de Deus
São Tomás ensina que o que é desejável em qualquer bem- aventurança,preexiste total e eminentemente na bem-aventurança divina.Portanto, todo o gozo,sabor,maravilha,poder,glória,riqueza possíveis ao homem,então contidos na felicidade de Deus.Como explica Boécio, da felicidade das coisa terrestres que consistem principalmente nos prazeres,nas riquezas,poder,dignidade e glória,o Criador goza a alegria de Si mesmo,de Seu ser infinitamente perfeito,sublime e eterno;como riqueza,a perfeita suficiência;como poder, a onipotência;como dignidade,o governo universal da criação;como fama, a admiração de toda criatura.Da felicidade contemplativa-que é a mais elevada forma de felicidade-Deus tem a perpétua e certíssima contemplação de si mesmo,como de todas as criaturas visíveis e invisíveis.Por essa razão,do ponto de vista ontológico.Deus goza de uma felicidade incomensurável.
Do livro "Deus..quem é Ele?"

56) Deus é a felicidade
Jesus sentou-se na beira do poço de Jacó e disse à mulher samaritana: " Dá-me de beber" ( Jo 4,7).
Nesse lindo episódio do Novo Testamento,Jesus explica à samaritana: " Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz ´Dá-me de beber´,certamente lhe pedirias tu mesma, e ele te daria uma água viva".
Diante da explicação de Jesus a respeito dessa água viva que brota de uma fonte eterna,da qual todo aquele que beber jamais terá sede,a samaritana ( que nos representa nesse episódio) se pôs a suplicar: " Senhor,dá-me desta água!"(Jo 4,15)
A água viva e inextinguível de felicidade,que todo ser humano busca a vida toda,está em seu fim último:Deus,que nos foi revelado por meio de Jesus.A alma humano quer esta água viva e eterna dada pelo Divino Mestre,fonte infinita de felicidade.Deus é a finalidade de todo o Universo e o homem só será feliz quando atingir esta finalidade.Diz Santo Agostinho que "buscar a Deus é ânsia ou amor da felicidade,e a sua possessão,a felicidade mesma".Nessa bem-aventurança encontramos a essência da felicidade: a alegria de ser,viver e existir com Deus e para Deus".
Participar já aqui na Terra desta felicidade divina,nos faz generosos e alegres,prontos para a prática da virtude e assim imitarmos nosso modelo único Jesus Nosso Salvador.
Do livro "Deus ...quem é Ele"?